Consórcio
de casa terá taxa de 15%
Expectativa
é que a Caixa Econômica
cobre menos
dos consumidores do que outros consórcios.
A
taxa de administração do novo consórcio de imóveis da Caixa Econômica
Federal deverá girar em torno de 15%. Essa é a expectativa do mercado, que
aposta que a taxa da Caixa será inferior à taxa média dos outros consórcios,
que cobram hoje 19%. O banco informa que ainda não definiu o patamar da taxa.
A
diretoria da Caixa aprovou, na terça-feira, a
criação do consórcio imobiliário. O novo produto deve substituir a
Carta de Crédito Caixa, que deixou de ser operada no final de agosto. A decisão
da diretoria do banco ainda será submetida ao seu conselho administrativo
e ao Banco Central, mas as chances de reprovação são pequenas.
O
projeto prevê a oferta de consórcio de imóveis para famílias com renda
superior a R$ 3.250, que deixaram de receber crédito imobiliário quando a
Carta de Crédito Caixa foi suspensa.
O
novo consórcio funcionará com grupos específicos, de acordo com o valor da
casa ou apartamento desejado. Exemplo: grupos de R$ 40 mil ou grupos de R$ 60
mil.
Ao
ser sorteado no leilão, o consorciado poderá usar o crédito tanto para compra
de imóveis novos como na planta.
Os
prazos de pagamento vão variar de 60 meses (cinco anos) a 120 meses (dez anos).
Para antecipar a aquisição do imóvel, o consorciado poderá dar lances. A
Caixa vai negociar com o Conselho Curador do FGTS a utilização do saldo do
Fundo nos lances.
Para
criar o consórcio imobiliário, a Caixa terá de formar uma Sociedade de Propósito
Específico, com balanço totalmente separado da instituição, conforme exige a
Lei dos Consórcios.
Simulação
feita pelo banco mostra que num consórcio de 60 meses – para um crédito de
R$ 50 mil –, o participante pagaria uma prestação de R$ 1.025. Num
financiamento comum, a prestação seria de R$ 1.372.
Se,
por um lado, a prestação é menor no consórcio, por outro, o prazo de
pagamento também é menor. No financiamento, é possível parcelar a compra em
até 240 meses (20 anos).
Técnicos
da instituição informaram que não serão reabertas tão cedo as linhas de
financiamento habitacional que foram suspensas. Pelas previsões da Caixa, a
reabertura depende da redução das taxas de juros.
Ministro
admite uso do FAT
Os
recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) poderão vir a ser usados para
o financiamento da habitação, como já ocorre hoje com o FGTS. O secretário
de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República, ministro Ovídio de
Angelis, confirmou ontem essa possibilidade. “A Caixa vem buscando
alternativas para as linhas de crédito e, assim como o FGTS é um instrumento
para viabilizar a moradia, o FAT também poderá ser”, afirmou.
Ocorre
que o FAT tem linhas específicas e, para que a moradia seja incluída, é
preciso redimensionar a distribuição dos recursos. “O dinheiro deve sair
dessas linhas já existentes”, disse o ministro, para quem a moradia é uma
prioridade e a medida deve ser aprovada, mesmo com as vozes discordantes de
representantes de sindicatos dos trabalhadores. “Ao invés de questionar o
procedimento, todo mundo deveria se juntar na luta para aumentar os depósitos
em caderneta de poupança, o que vai significar mais recursos para as moradias
populares”, declarou.
Para
Ovídio de Angelis, agora que o debate em torno do uso do FAT na habitação está
aflorado, as decisões política e administrativa devem ser tomadas logo. “Só
temos que ver a repercussão da medida no âmbito econômico-financeiro – às
vezes, esse tipo de resolução perturba o mercado e pode ser negativo”,
ponderou.
Ele negou que a TR (Taxa Referencial) será alterada e que a correção da caderneta de poupança vá mudar para o INPC ou qualquer outro índice. "Mesmo que a TR atual, em torno de 2% ao ano, trabalhe contra a poupança (que paga 6% ao ano mais a TR), só pensaremos em alterá-la quando estiver oferecendo uma ameaça ao mutuário do SFH”, disse.