Área verde para uns, estacionamento para outros

Utilizada como estacionamento informal há anos, uma área na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Lima e Silva está mobilizando moradores de dois condomínios da Azenha. A Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre (Procempa) recebeu da prefeitura o direito de uso sobre os cerca de 800 metros quadrados e planeja construir ali um estacionamento para os funcionários.

O jornalista uruguaio Mario Wallace é morador do condomínio Dilúvio, um dos que ficam em frente à area. Ele conta que os condôminos estão mobilizados para evitar a construção e apresenta documentos que comprovariam a destinação do terreno para área verde. Segundo ele, há uma lei de 1980 que criaria a Praça Augusto César Sandino no local, informação não confirmada pela Secretaria Municipal do Planejamento.

Afirma, ainda, que a manutenção é feita pelos moradores.

– A prefeitura não limpa o local. Pagamos uma empresa para fazer a capina – reclama.

Lourdes Boeira, mulher de Wallace, argumenta que alunos, pais e professores da Escola Estadual Renascença também serão prejudicados pela construção do estacionamento, pois usam o local para passagem.

Moradores e Procempa fizeram uma reunião sobre o caso na Câmara dos Vereadores, em março, mas não houve entendimento. Um novo encontro ficou acertado e deve ser realizado nos próximos meses

Moradores e Procempa fizeram uma reunião sobre o caso na Câmara dos Vereadores, em março, mas não houve entendimento. Um novo encontro ficou acertado e deve ser realizado nos próximos meses.

Contrapontos


O que diz a Procempa, por meio de sua assessoria:


A área, que é pública, foi cedida para a Procempa, com base em um projeto de revitalização. O local está degradado, utilizado como estacionamento a céu aberto, inclusive sofrendo com o assédio de flanelinhas. A proposta em estudo não agride o ambiente e terá painéis solares e cisternas. O projeto sempre foi debatido com a comunidade, com a participação da Câmara de Vereadores, que realizou duas audiências públicas sobre o assunto. E o diálogo permanece aberto.


O que diz a Secretaria do Planejamento, por meio de sua assessoria: 
Conforme a Unidade de Planejamento Viário (UPV), a área não está gravada no Plano Diretor como de praça. Trata-se de um próprio municipal, uma sobra de terreno da Avenida Ipiranga



Fonte: Zero Hora