Vizinhos tornam-se amigos para aumentar a segurança

Velhos hábitos estão voltando à moda, como cuidar da casa ao lado

É possível morar numa metrópole e manter hábitos da vida no interior? Comer pão de queijo do vizinho e depois retribuir com um delicioso bolo de fubá... Sim, ainda é. Isso talvez não surpreenda quem mora no interior do Brasil, mas esse é o caso da terceira maior metrópole do país, Belo Horizonte. No bairro, que surgiu em torno de uma fábrica de tecidos, a confraria dos vizinhos resgata velhos hábitos.

Maria Angélica acende a luz e sai de casa, só que esta não é a casa dela. Miriam tem um compromisso diário, quando termina o expediente: ligar o alarme da escola ao lado. E sempre que o Zé Picolé vai pescar, baixa a porta do comércio e deixa tudo por conta do Ângelo. Ninguém ganha um tostão com essas tarefas: são apenas bons vizinhos, perseguindo um ideal que ficou lá nos anos 50.

Essa “camaradagem” só nasceu depois que o pessoal da vizinhança passou um aperto coletivo. O assalto à casa da dona de casa Miriam Regina Felizardo foi a gota d'água.

Então, fizeram o cadastro de moradores e a troca de telefones; os laços entre os vizinhos foram se estreitando. Em uma reunião surgiu a ideia de um carro para fazer a ronda e aumentar a segurança no bairro. O efeito é terapêutico para os antigos moradores, que já não saíam mais de casa com medo da violência.

A união dos vizinhos não fez do lugar um paraíso da noite para o dia, mas a idéia do apito se propagou em Belo Horizonte e, segundo os moradores, fez cair pela metade os índices de criminalidade no bairro. O “apitaço” foi o primeiro passo para organizar a vizinhança, explica o despachante Marcos Vinícius Tamietti.

- Se acaso aparecer um estranho na rua ninguém vai fazer o papel de polícia, mas as  pessoas apitam, chegam próximo do portão e se tiver algum estranho ele assusta e se evade. Porque a polícia não está em todos os lugares, só Deus.

 



Fonte: R7