Política
Emenda compromete Wasny

Deputado petista legisla em causa própria e transforma terreno de 22 ha de sua propriedade na fazenda Santa Bárbara de área rural para urbana, o que causa uma supervalorização em mais de 10.000%

Arthur Herdy e Walberto Maciel

O deputado distrital Wasny de Roure (PT) foi um dos maiores interessados na inclusão da área do Distrito Federal, onde estão localizadas suas terras, no Plano Diretor de Ordenamento Territorial – PDOT, que resultou na transformação de área rural para Zona Urbana de Dinamização. O deputado Wasny e a deputada Lúcia Carvalho, também, do PT apresentaram a emenda de Plenário nº 2, de 1º turno, em 1996, que define a alteração da área. Aliado à emenda, os distritais apresentaram ainda o requerimento de destaque sobre o mesmo assunto. A emenda dos dois deputados petistas foi rejeitada no dia 11 de novembro de 1996 e substituída por outra emenda do deputado Benício Tavares que incluía as terras da Fazenda Santa Prisca, de propriedade do então deputado Luiz Estevão de Oliveira. O PDOT foi aprovado em primeiro e 2º turnos no dia 11 dezembro de 1996, com o voto favorável de Wasny, em ambos.
Por telefone, o deputado Wasny de Roure confirmou ter votado pela aprovação do PDOT. “Votei como todos os deputados. Não me senti impedido de votar porque estava se votando um plano que incluía quase todas as áreas do Distrito Federal. Se eu fosse me declarar impedido, todos que tinham qualquer pedaço de terra teriam que se sentir impedidos”, afirmou o petista.
O Jornal da Comunidade apurou que o texto original enviado pelo Executivo não era tão específico quanto à definição das terras. De forma geral, dizia que a Zona Urbana de Dinamização correspondia a área localizada no eixo oeste/sudeste, compreendendo as localidades de Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Guará, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo, Gama, Santa Maria e Recanto das Emas. Na emenda do petista também não apareciam as terras da Fazenda Santa Prisca. Foi então apresentada a emenda de autoria do deputado distrital Benício Tavares, definindo como terras urbanas as áreas da Santa Prisca, de Luiz Estevão e a Santa Bárbara, de Wasny que estão dentro da poligonal de Santa Maria.

“Eu não apresentei nenhuma emenda”

Wasny de Roure garantiu que nunca apresentou nenhuma emenda e nem ao menos fez qualquer tipo de gestão no governo Cristovam Buarque para se beneficiar. “ Você deve procurar as pessoas que fizeram o projeto original e perguntar se eu vivia atrás delas, pedindo qualquer tipo de inclusão. Ainda, se eu fazia reuniões visando incluir minhas terras no PDOT, nunca fiz isso”, afirmou o deputado garantindo que não tem tempo para fazer pesquisas imobiliárias e saber quanto valem ou quanto valiam aquelas terras.
“Não estou pretendendo vender ou parcelar. A única proposta que faço é para o Jornal da Comunidade: se vocês quiserem comprar pelos R$ 40 milhões que anunciaram na reportagem, eu vendo. Só quero os R$ 4 milhões”, disse o deputado já admitindo que as suas terras valem bem mais que os R$ 30 mil declarados ao TRE.
Wasny voltou a falar da fazenda do ministro Pimenta da Veiga, que fica próximo à sua. “Não entendo porque o jornal resolveu pegar nesse assunto. O ministro Pimenta da Veiga tem uma fazenda do lado. Porque vocês não fazem uma reportagem sobre a fazenda dele?”, questionou Wasny afirmando que o jornal só está investigando esse assunto porque ele não tem anúncio na empresa como o Governo do DF.
Na escritura da terra consta que foram pagos CR$ 590.400,00, valor que convertido em dólares dá US$ 32.928 que, transformados em Reais na cotação atual, resulta em R$ 83 mil. O deputado confirmou que pagou a terra através de financiamento com notas promissórias que foram quitadas quando da sua viagem para a Inglaterra. Segundo ele, nesta data foi passada a escritura com o valor total.
O ex-deputado e senador Luiz Estevão também falou ao Jornal da Comunidade. Segundo ele, não houve nenhum tipo de reunião para se definir a emenda que seria aprovada. “O que posso dizer sobre esse episódio é que as terras da fazenda Santa Prisca já tinham destinação urbana antes do governo petista. Quando eles entraram no governo, tentaram voltar minhas terras para a destinação rural com o claro objetivo de me prejudicar, mas não conseguiram. Sobre as terras do deputado Wasny, eu nem sabia que ele tinha tantas terras”, afirmou Luiz Estevão.

PFL insufla candidatura de Aécio de olho na sucessão

Rápido crescimento de Roseana Sarney assusta cardeais do partido, que atuam nos bastidores para garantir a composição com o PSDB em 2002

Sérgio Pardellas

Com a ascensão meteórica de Roseana Sarney nos índices de intenções de voto para a sucessão presidencial em 2002 e o flagrante antagonismo entre os mais emplumados postulantes aos candidatos tucano – José Serra, Tasso Jereissati e Paulo Renato – o presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB-MG) voa rumo ao vácuo tucano, insuflado não pelo PSDB, mas pelo PFL. Pode soar estranho, mas a legenda pefelista é a que mais tem trabalhado nos bastidores pela candidatura do deputado mineiro.
Nos últimos dias, pefelistas da alta cúpula insuflaram Aécio a colocar seu bloco na rua para sentir a avaliação do eleitorado, do PSDB e dos outros partidos que dão sustentação ao governo Fernando Henrique Cardoso. “A sugestão partiu do próprio PFL”, afirmou um influente pefelista.
Explica-se: o balão de Roseana Sarney ensaiado por articuladores pefelistas com o inequívoco propósito de cacifar o partido na recomposição da aliança governista, subiu rápido demais. Segundo pesquisa divulgada na última semana, Roseana já detém 20% das intenções de voto. Ela tem a preferência de 16,3% no Sudeste, de 17,5% no Sul, de 20,4% no Centro-Oeste, de 18.8% no Nordeste e de 37,7% no Norte. Atônitos com o vertiginoso crescimento da governadora do Maranhão nas pesquisas de opinião, os pefelistas temem chegar a uma situação de onde não possam retroceder. Há, dentro do PFL, uma legião de céticos quanto ao triunfo de uma eventual candidatura encabeçada por Roseana.
Para integrantes do PFL , a súbita escalada da maranhense ao topo das intenções de voto, pode ser prejudicial ao partido. Pragmáticos por excelência, os pefelistas acreditam que as chances de vitória em 2002 serão significativamente maiores numa composição com um candidato do PSDB, por isso não querem, de maneira alguma, correr o risco de perder o prodigioso aliado. “Com Roseana na ponta, a pressão no partido pela candidatura própria vai ser muito grande. Corremos o risco de o PSDB correr para um lado e nós para o outro. A intenção é de composição”, afirma um cardeal pefelista.
E o PFL quer se manter no comando da locomotiva do poder sem sobressaltos. A estratégia é fomentar a candidatura Aécio para dividir intenções de votos com Roseana e, consequentemente, tirar o partido dessa encruzilhada. Para o PFL, o presidente da Câmara tem perfil semelhante ao da governadora do Maranhão: representa o novo, é jovem , não está vinculado a FHC mas também não representa o anti-FHC. “Para estes já existe um outro tipo de eleitorado”, afirmou o pefelista que pediu para não ser identificado.
A cúpula do PFL também vê com muito bons olhos uma eventual dobradinha Roseana-Aécio. Para o partido, não importa quem encabece a chapa. “Os tucanos não vão abrir mão da cabeça de chapa. No PFL não tem isso. Aceitamos compor”, disse. Ademais, uma composição Roseana-Aécio, avaliam pefelistas, viria cheia de “charme e simbolismo”. Charme, pelo carisma apresentado por Roseana em suas aparições na TV e simbolismo, pela possibilidade de reedição da chapa Tancredo Neves - avô de Aécio - e José Sarney – pai de Roseana - que marcou o fim da ditadura militar.