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“Condomínios são fábrica de votos”
Secretário
Odilon Aires destaca o poder político da pasta que dirige, mas afirma que
regularização das terras representa o fim da grilagem. Ele admite que vai
enfrentar pendências judiciais e brigas de donos de terras nos condomínios em
áreas públicas
Walberto
Maciel
Depois de
enviar para a Câmara
Legislativa uma relação de mais de 60 condomínios que estão fixados em
terras particulares para regularização, o secretário de assuntos fundiários
do Distrito Federal, deputado Odilon Aires, vai encarar agora a regularização
dos condomínios construídos em terras públicas, da União e do GDF e pretende
até dezembro, dar uma definição de áreas como Vicente Pires, Arniqueiras,
Taquari e várias outras. Na regularização dos condomínios em terras
particulares, o secretário enfrenta um problema: a falta de documentação e até
mesmo de organização dos condomínios. Nos condomínios em áreas públicas,
Aires irá enfrentar pendências judiciais, brigas de famílias que se dizem
donas das terras e muita falta de documentação legal para provar a verdadeira
origem dos terrenos. Uma coisa o secretário garante: vai até o fim,
independente das pressões que vem sofrendo. “ Regularização de condomínios
é uma fábrica de votos e de muitas outras coisas, mas estamos interessados em
definir de uma vez por todas quem são os donos da terra. Só com a regularização
é que teremos o fim da grilagem”, destaca o deputado distrital nessa
entrevista ao Jornal da Comunidade.
Jornal da Comunidade – Secretário, como está hoje o processo de regularização
dos condomínios do Distrito Federal?
Odilon Aires – O processo nosso está muito bom, uma vez que não se tinha
ainda na história do DF, um condomínio registrado em cartório. Nós já temos
registrado o Chapéu de Pedra e estão indo para cartório o Querência, o
Portal do Lago Sul. E todos os condomínios de iniciativa privada da Fazenda
Santa Bárbara, que não foram desapropriados só não está em cartório por
pendência deles, ou falta de caução ou de alguma iniciativa do empreendedor.
O Estado já cumpriu a sua missão que é aprovar os projetos, baixar decreto do
governador, cumprir as exigências, tudo isso nos fizemos na parte ambiental e
dominial. Temos também em andamento o Alto da Boa Vista, todo o Colorado, isso
na área dita como dos condomínios particular.
Em quanto tempo o senhor acha que estará resolvida a situação dos condomínios
particulares?
O particular é como falei, não depende só do governo. Se o condomínio ainda
não tem a caução, não vai a cartório. Nsses que falei já cumprimos nossa
etapa. Um exemplo típico de problema de tempo é o caso do Alto da Boa Vista:
falta cumprir uma parte de domínio e aí será levado para assinatura do
governador e registro em cartório.
E os condomínios do Jardim Botânico?
Com relação ao Jardim Botânico e São Bartolomeu, alí era uma área
duvidosa, uma área comum de deslocamento de título. O Estado e a secretaria
entenderam que não iam mais em busca da ação demarcatória, não iam mais em
busca de instrumento jurídico a não ser o registro em cartório para efeito do
parcelamento. Então, quando nós levamos a matrícula do Jardim Botânico e São
Bartolomeu, descobrimos um remanescente lá que é área privada, ou não
desapropriável. Os demais estão em áreas desapropriadas da Terracap. E está
sendo feito o cadastramento na secretaria para efeito da titulação.
Quais são os condomínios que estão nessa área?
Alí nós temos todo o Jardim Botânico, que vai de I a V, Mansões Califórnia,
San Diego e Ville de Montaigne. Todos em áreas da Terracap e em demanda
judicial. Mas estamos ganhando todas etapas, provando que a terra é
desapropriada, de domínio público e da Terracap. Aquela área envolve uns 14
condomínios. Então, esta aí é a parte que estamos levando para registro.
E os condomínios em terras públicas?
Nessa situação temos o Taquari com 3.169 lotes da unidade familiar, sendo que
desses mais de mil são do condomínio Hollywood. O resto é o bairro Taquari,
que foi objeto de discussão na CPI da Grilagem. Lembres-se que o pastor Duarte
se dizia dono daquela área, ms nós provamos que ele não é e que vendeu
aquilo ali até com respaldo do governo passado, que dava um tíquete do Morar
Legal, para apadrinhados comprarem lotes lá no Hollywood. Nós temos isso no
banco de dados do Idhab, provando que a área não é dele. E já estamos
levando o processo para registro em cartório, com licença de instalação. O
outro, é o bairro Dom Bosco que envolve os condomínios, Mini Chácaras,
Pousada das Andorinhas, Belo Horizonte e Village Alvorada. O Village Alvorada
está na fase de cadastramento com habilitação de domínio de posse para
efeito de escritura pública definitiva. O projeto está pronto com decreto e
licença de instalação.
E o Vicente Pires, quando será regularizado?
Esse é o mais recente e estamos analisando o caso com bastante motivação.
Inclui não só o Vicente Pires, como Arniqueiras, Vereda Grande, Vereda da
Cruz, Agrovila São José e a Colônia Agrícola Samambaia. Esta área tem uma
demanda em São Paulo do espólio de Eduardo Dutra Vaz. Nós estamos
intermediando, tentando passar o caso para domínio da Terracap para levar a
registro. Caso isso não ocorra, levaremos a registro e cada um terá que provar
que é dono. Provavelmente até dezembro estaremos com aquela área toda
regularizada.
”A oposição fez em quatro anos um estelionato eleitoral”
Jornal da Comunidade - Agora tem aquela determinação do governo de que se a
pessoa não tiver construído nada no terreno, em seis meses poderá perdê-lo?
Odilon Aires – Isso é especulação, para forçar aquele que preservou, que
quis comprar o lote quando estava barato, achar que deve vender. O governo faz
um trabalho in loco, através de GPS e de fotos aéreas para ver a realidade de
cada um. Lá o parcelamento se deu nas chácaras objeto de arrendamento da
Zoobotânica e nós vamos regularizá-las em nome de quem estiver com o
documento de posse.
O senhor demorou a pegar esse assunto, por que de repente esse apetite grande de
regularizar tudo? O senhor sofre pressão da oposição, como está o lado político
dessa história?
A impressão é que começamos agora, mas nós antes de um ano de governo já tínhamos
40 condomínios em fase final de regularização. Tanto é que essa discussão
de processo tramitando na Câmara só foi para lá depois da recomendação do
Ministério Público, para definir o índice institucional e a densidade
populacional. Dados muito importantes. Quanto a pressão política, temos. No
lado político, os condomínios foram sempre uma fábrica de votos e de outras
coisas mais. Eles estão vendo que o governo está honrando os seus
compromissos, e eles estão desesperados, querendo fazer projetos no calar da
noite. A oposição ficou ai quatro anos e não fez nada. Não deram conta de
regularizar. Nesses condomínios tem até um ex-secretário do Meio ambiente. E
por que eles não regularizaram? O que fizeram foi estelionato eleitoral. E se
me perguntar o que estou fazendo? Nós temos o Arapoangas, Mestre D´armas,
parte do Jardim Botânico, do Bairro Taquari, tudo com projetos belíssimos para
regularização da área.
Mas não existe o interesse político também?
Olha, o nosso interesse é fazer um bom trabalho a frente da secretaria. É
desenvolver um programa de governo. A regularização dos condomínios não tem
prazo para terminar, é um processo contínuo, que faz parte de um programa de
governo. E por isso que está dando certo, pois não está ligado a nenhum
processo eleitoral.
Câmara dos deputados começa semana com a agenda cheia
Um dos projetos em votação na terça 11, institui o regime de previdência
complementar para a União, Estados e também o Distrito Federal
A pauta de votações da Câmara prevê para terça 11, a apreciação de vários
requerimentos de urgência e a votação de inúmeros projetos de lei. Um deles
dispõe sobre as normas gerais para a instituição de regime de previdência
complementar pela União, Estados, Distrito Federal e municípios. Esse projeto
é o primeiro ítem da pauta a ser votado na tarde de terça-feira.
Também estão previstas as votações dos projetos que dispõem sobre a
qualificação dos órgãos e entidades do Ministério da Defesa como Centros de
Prestação de Serviços (CPS). Um deles acrescenta dispositivos à Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) e dispõe sobre requisitos de admissibilidade para
recurso de revista.
Outro projeto denomina Aeroporto do Cacau Escritor Jorge Amado ao aeroporto
localizado na cidade de Ilhéus (BA). Outro cria a Região Integrada de
Desenvolvimento Manaus-Boa Vista.
Outro ainda dispõe sobre a realização de plebiscito para a criação do
Estado do Carajás. E, finalmente, outro dispõe sobre a autorização do uso de
terras indígenas na região de São Jerônimo da Serra, no Rio Tibagi.
Ainda na terça-feira, o Plenário da Câmara deverá votar em segundo turno a
emenda constitucional que assegura o exercício cumulativo de dois cargos ou
empregos privativos de profissionais de saúde na administração pública
direta ou indireta.
Homenagem
Na quarta 12, em função da sessão do Congresso, a Câmara não realizará
sessão deliberativa. Mas às 10h, a Câmara realizará sessão solene em
homenagem ao Ministério Público Federal.
Na manhã de quinta-feira o Plenário da Câmara se reunirá para votar diversos
projetos de decretos legislativos, que aprovam acordos e protocolos firmados
entre o governo brasileiro e os governos de outros países. Às 16h, o Plenário
realizará sessão solene em homenagem aos 167 anos da Revolução Farroupilha.
(Agência Folha)
Independência ou morte?
*Bispo Robson Rodovalho
Quando se comemora o 7 de Setembro, lembro-me dos desfiles, das fanfarras
colegiais, das bandas de música e das tão esperadas premiações.
Infelizmente, junto com a festa vemos um movimento nacional implícito, que não
combina com os risos nos lábios, mas com rugas de preocupações e tristezas
nos rostos dos brasileiros.
Os desfiles de hoje não são mais os mesmos e, as palavras do brado de D. Pedro
I ameaçam todo ano perder um pouco mais do seu significado, assim como o
orgulho nacional e o patriotismo. Parece que caminhamos para trás. Pelo menos,
é o sentimento de milhões de brasileiros que acompanham a cada dia o movimento
oposto da independência, em nome da qual nossos governantes fazem privatizações
e abraçam o neoliberalismo, atrelando-nos cada vez mais ao capital
internacional e tornando-nos dele dependentes.
É interessante como assistimos o movimento de venda e entrega do nosso patrimônio
a grupos internacionais por preços e condições absolutamente ridículos,
pagos por moedas podres. É intrigante ver o cidadão comum, que trabalha, paga
imposto e faz o país funcionar, não ter acesso a informações transparentes
destes processos.
É difícil festejar quando somos levados para direções opostas ao brado de
Dom Pedro I. Não é de se estranhar que o povo não alimente mais aquele
patriotismo que um dia floresceu, nos tempos de Vargas ou Juscelino Kubitschek.
Restando-nos conformar com a história que os tempos são outros, e nossos políticos
também, infelizmente.
*Bispo Robson Rodovalho, é presidente do Conselho de Bispos do Ministério Sara
Nossa Terra e Vice-presidente do Conselho Nacional de Pastores do Brasil.