Apagões
começam em junho
Mas
os detalhes sobre
a medida para
conter
o consumo de
energia só serão
definidos dia 23.
O corte de energia elétrica começa
no dia 1º de junho e pode ocorrer de modo linear para cada categoria de
consumidores residenciais, comerciais e industriais. Os detalhes dos apagões,
porém, só serão conhecidos no dia 23, quando acontecerá outra reunião do
Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Conforme anunciou ontem o
ministro de Minas e Energia, José Jorge, o adiamento para a divulgação do
cronograma de interrupção do fornecimento de energia elétrica deveu-se ao
fato de que os integrantes do CNPE tinham dúvidas sobre as propostas
apresentadas.
Para
o ministro, o prazo de uma semana entre a elaboração do programa de
racionamento e a entrada em vigor dos apagões será suficiente para que as
concessionárias estejam preparadas. José Jorge afirmou que as queixas da
população sobre a proposta de multas de até 45 vezes sobre o valor da tarifa
para quem viesse a superar as cotas – medida que não será colocada em prática,
de acordo com decisão do presidente Fernando Henrique – serviram para alertar
os consumidores sobre a necessidade de economizar luz elétrica. José Jorge
considerou normal as críticas de investidores contra a política energética
nacional.
Segundo
ele, no mesmo dia em que executivos do conglomerado americano AES lançou
suspeitas com relação ao modelo brasileiro, o grupo El Paso teria anunciado a
compra de um prédio no Rio de Janeiro. “Isso depende da decisão de cada
empresa. O BNDES fez pesquisa na qual ficou comprovado que o setor elétrico é
o que receberá o maior volume de investimentos estrangeiros”. O ministro
admitiu que a proposta em análise prevê uma redução global de 20% no gasto
de energia elétrica.
O
secretário Nacional de Energia, Afonso Henriques Moreira Santos, informou que
as distribuidoras de energia vão colocar em prática um plano de interrupção
no fornecimento de eletricidade de 20% para residências e de 18% a 20% para o
comércio. No caso das grandes indústrias, o corte será de 15%.
O
ministro da Casa Civil, Pedro Parente, disse que o governo irá ajustar o Orçamento
Geral da União para conseguir os recursos para o pagamento de bônus aos
consumidores que gastarem luz elétrica abaixo da cota estabelecida. (Agência
Estado)
Ex-ministro
elogia decisão sobre multas
A
decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso, de excluir do plano de
racionamento a proposta de multas pesadas para os consumidores que superarem as
cotas de energia causou constrangimento a técnicos do governo. Isso porque a
forma como a decisão foi anunciada pegou de surpresa, por exemplo, técnicos da
Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Na segunda-feira à noite,
funcionários da agência reguladora foram surpreendidos com a notícia no
instante em que faziam as simulações das punições.
O ex-ministro da
Ciência e Tecnologia José Goldemberg, integrante do CNPE, chegou ontem à
tarde ao Ministério de Minas e Energia atacando a proposta dos apagões.
Segundo Goldemberg, o governo poderia estimular a construção de linhas de
transmissão para ampliar a capacidade de passagem de eletricidade gerada nas
Regiões Norte e Sul do País.
Na
avaliação do ex-ministro, o presidente Fernando Henrique Cardoso tomou a decisão
correta ao pôr fim à proposta das multas. “O presidente desqualificou a
proposta das multas”, disse. “Isso serviu para comprovar a falta de
sensibilidade da equipe que passou meses elaborando o plano. A Aneel deve ter
ficado bastante embaraçada”.
Na Esplanada dos Ministérios, colaboradores do presidente Fernando Henrique atribuíram ao diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, o convencimento para excluir a proposta das multas. O ministro de Minas e Energia, José Jorge, minimizou a importância da opinião do diretor-geral da ANP. Disse que era apenas “uma opinião a mais, entre outras tantas”.(A.E.)
09/05 jornal de Brasília