Rigor na luta contra a grilagem

Roriz elogia ação da polícia e reafirma que
não admite
corrupção em seu governo. 

O governador Joaquim Roriz determinou ontem que o esquema de venda de lotes no condomínio Hollywood seja apurado com rigor e que os culpados sejam punidos. Segundo ele, o governo não vai desistir do combate à venda irregular de lotes e muito menos proteger funcionários públicos que eventualmente estejam ligados às quadrilhas de grileiros. 

“Determinei a imediata demissão dos dois funcionários da Terracap que foram indiciados pela Delegacia do Meio Ambiente (Dema), como faço com qualquer integrante do governo que estiver envolvido com corrupção”, disse o governador. “Agora cabe a Justiça determinar a pena de cada um dos envolvidos”, acrescentou. 

O governador elogiou a atuação do delegado titular da Dema, Ricardo Yamamoto, que conduziu as investigações e desbaratou a quadrilha de grileiros que vinha agindo nas terras públicas do condomínio Hollywood, incluindo funcionários da Terracap. O engenheiro Antônio Augusto Alves, ex-chefe de gabinete do presidente da Terracap, e o funcionário Nelson Luis da Rocha Neves foram indiciados como membros da quadrilha liderada por Arnaldo Córdova Duarte, filho do pastor Duarte, apontado como um dos maiores grileiros do Distrito Federal. 

“O delegado agiu com a competência que se espera. Volto a dizer que não desejo isto para ninguém, mas no meu governo eu não perdôo corrupção. O resultado é imediato: demissão e cadeia. No meu governo vai ser dessa maneira até o último dia de mandato”, ressaltou Roriz. 

Roriz afirmou que uma das prioridades de seu governo é legalizar os condomínios e que a polícia tem autonomia total para combater a grilagem de terra, um dos principais entraves à regularização dos lotes. “Quero que tudo seja feito dentro da legislação e que a Justiça acompanhe todos os passos, porque não vou admitir corrupção. A polícia já tem minha determinação para que esgote todos os esforços no combate à grilagem e faço de público um elogio à Delegacia do Meio Ambiente, que tem conseguido sucesso nas suas investigações”, disse Roriz. 

Sobre a participação de funcionários do governo na quadrilha de grileiros descoberta pela polícia, o governador foi claro: todos já foram punidos com a perda do emprego e agora terão de responder na Justiça pelo erro que cometeram. “Não há como perdoar, não perdôo. Mesmo se fosse meu irmão eu demitiria e abriria processo criminal porque o meu compromisso é com a cidade, é com os dois milhões de habitantes do Distrito Federal, com quem me comprometi fazer um governo honrado e que não admite corrupção”, explicou. 

O governador Joaquim Roriz disse ainda que a investigação será levada até o final e o procedimento será o mesmo, pelas vias policial e judicial, ressalvando que se mais algum servidor público for pego será demitido como os outros dois.    

Dema encaminha inquérito 

A Delegacia do Meio Ambiente (Dema) vai encaminhar hoje à Justiça o inquérito que apura o esquema do parcelamento irregular de terras públicas no condomínio Hollywood, bairro Taquari, no Lago Norte, envolvendo o nome de dois ex-funcionários da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). O engenheiro civil Antônio Augusto Alves era chefe de gabinete do presidente da estatal, Herman Barbosa, e Nélson Luís da Rocha Neves, gerente de cobrança. 

Os ex-funcionários foram indiciados por crime organizado, formação de quadrilha e corrupção passiva. Além deles, fazem parte do grupo Arnaldo Córdova Duarte, Benedito Marques Muritiba, Sérgio Marcus Baesse de Souza, Antônio Carlos dos Santos e Carita Cristina David Silva. Se forem condenados, os acusados podem pegar uma pena de até 20 anos de reclusão. 

Segundo a polícia, Antônio Augusto recebia pessoas que haviam comprado lotes irregularmente no bairro Taquari, em seu gabinete, para dar transparência ao negócio fraudulento. O chefe de gabinete e o gerente de cobrança davam garantia na aquisição e regularização das propriedades, vendidas ilegalmente, em troca de R$ 2 mil.

Como Antônio Augusto e Nelson Neves eram amigos desde 1993, quando, de acordo com o delegado Ricardo Yamamoto, trabalhavam no Grupo OK, do ex-senador Luiz Estevão, e a Dema descobriu o envolvimento de Neves com a quadrilha, o delegado suspeitava, também, da participação de Augusto. Uma escuta telefônica, autorizada pela Justiça, revelou o esquema feito dentro da Terracap e a ligação dos dois ex-funcionários.

Ontem, o promotor Libânio Alves Rodrigues, da Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), recebeu pedido para se manifestar sobre o relaxamento da prisão do advogado Sérgio Baesse e do empresário Antônio Carlos dos Santos, dono da Skia Veículo, localizada na 709 Norte, que continuam presos junto com Benedito Marques Muritiba e Arnaldo Córdova Duarte.  

Jornal de Brasília