Policiais fazem curso de combate a arrastões em prédios

Aulas são de especialização na investigação dos crimes em condomínios.
Professores são da Academia de Polícia (Acadepol).

Atenta ao crime que tem ocorrido com maior frequência no estado, a Polícia Civil de São Paulo está treinando policiais para lidar com ações de roubos a condomínios. As aulas são ministradas por professores da Academia de Polícia (Acadepol) e a 11ª turma começou o curso de dois dias nesta terça-feira (14). A meta é ensinar os agentes a, entre outras coisas, abordar as vítimas e recolher as provas no local corretamente.

“O objetivo é que o policial conheça a modalidade desse crime. Que ele saiba analisar o comportamento da quadrilha, que saiba conhecer quem compra esse tipo de material (roubado), que são os receptadores”, explicou o delegado Kleber Altale, divisionário da Secretaria de Cursos Complementares da Acadepol. O Curso de Especialização em Investigação sobre Crimes de Roubos em Condomínios acontece na Acadepol, que fica junto à Cidade Universitária, na Zona Oeste da capital.

Em outubro de 2009, por meio da Resolução SSP-240, a Secretaria da Segurança Pública criou o Programa de Prevenção e Repressão de Roubos a Condomínios. No início do texto, uma das justificativas: “considerando o aumento das ocorrências de roubo a condomínios, praticados por quadrilhas organizadas, na maioria das vezes contando com aparato bélico de grande poder de impacto e a necessidade de prevenção e repressão a essas atividades criminosas.”

O curso é voltado a policiais do estado que atuam em unidades como a Delegacia de Investigações Gerais (presente nos municípios paulistas), o Setor de Investigações Gerais (SIG) e o Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro). Na turma que se forma nesta quarta (15), estão 22 agentes.

Altale contou que o curso tem apenas aulas teóricas e que, em 2009, 59 policiais concluíram a formação. Em 2010, já são 160 formandos. “Os alunos aprendem o modus operandi das quadrilhas, como coletar indícios relevantes, e conhecem as metodologias de inteligência na investigação de ações criminosas”, disse o delegado, acrescentando que não poderia revelar mais detalhes do que é passado.

Em agosto do ano passado, a Secretaria criou a Delegacia Especializada em Combate a Roubos e Condomínios, que é vinculada ao Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). O objetivo é centralizar as investigações desse tipo de roubo. Dados do Deic mostram que, em 2009, a polícia registrou 26 arrastões. Neste ano, até 17 de agosto, tinham sido 11.

Lugar sagrado
Na tarde desta terça, o perito criminal Paulo Amaral dava a aula de criminalística aplicada à investigação. “É a cautela com a preservação do local do crime, a perícia de forma objetiva, o levantamento de impressões digitais”, explicou.

Ele comentou sobre a peculiaridade dos assaltos acontecem nos prédios paulistas. “Trata-se de um roubo na sua casa, que é um lugar sagrado. Dificilmente, ele (o crime) ocorre em um ou dois apartamentos. São crimes violentos, com alto grau de ameaça e risco.”

Casos
Um dos casos mais recentes de arrastão ocorreu no dia 9 deste mês, quando cinco homens armados com revólveres se passaram por visitantes, invadiram o apartamento de um casal de idosos e fizeram cinco reféns na Aclimação, zona sul de São Paulo.

No mesmo dia, outro assalto do tipo em um condomínio de luxo em Sorocaba, a 99 km da capital. Pelo menos 15 homens armados com fuzis e pistolas invadiram o prédio e roubaram pelo menos seis apartamentos. Moradores e funcionários foram feitos reféns e ficaram amarrados com lacres de plástico durante quase duas horas.



Fonte: G1 SP