Não é apenas o caro metro quadrado vendido na cidade que pesa no bolso do brasiliense. Os condomínios também estão encarecendo cada vez mais o custo de vida do morador do Distrito Federal. O reajuste aplicado em 2009, de 8,41%, é o mais alto do país e representa quase o triplo da inflação acumulada nos 10 primeiros meses do ano, de 3,29%, segundo levantamento feito pelo Correio em dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os preços podem chegar a R$ 1,3 mil mensais. Em média, o aumento das taxas no país foi de 4,83%. O incremento foi acima também do percentual aplicado no mesmo período do ano passado, de 3,59%. Em 2008, a variação no DF foi a sétima mais alta do país entre as 11 capitais pesquisadas.
O reajuste elevado na capital federal se deve a uma variação nos custos dos condomínios, principalmente por causa das taxas públicas e da folha salarial, alega o presidente do Sindicato dos Condomínios Residenciais e Comerciais do Distrito Federal (Sindicondomínio-DF), José Geraldo Dias Pimentel. “No DF, o que mais compromete são os reajustes de água, luz e o pagamento de funcionários. Este ano, demos um aumento de 6,8% nos salários dos trabalhadores”, explica. Segundo ele, a folha de pagamentos compromete um quarto dos gastos de um condomínio.
Aos consumidores só resta tentar negociar em assembleia. Não há lei que defina quando e como os condomínios devem ser reajustados. E os órgãos de defesa do consumidor nada podem fazer. “Os brasilienses participam pouco das assembleias e depois reclamam dos aumentos. Todos têm que participar para ajudar a definir preços.” Os reajustes geralmente são anuais e definidos por metade mais um dos presentes na assembleia.
Mas, mesmo participando da negociação, fica difícil baixar preços com custos tão elevados, alega o comerciante Gilmar Silva, 43 anos, subsíndico do condomínio em que mora, no Cruzeiro. O prédio só tem o básico. Não conta com elevador, salão de festas, churrasqueiras ou piscinas. Mesmo assim, mensalmente, Gilmar e os moradores dos outros 24 apartamentos do prédio de quatro andares têm que desembolsar R$ 320. “Aqui só tem as escadas e a portaria. Dói no bolso pagar mais de R$ 300 por mês para um prédio que não tem nada”, disse. “O custo de vida em Brasília está cada dia mais caro.”
Síndico
E só é possível contestar os valores nas reuniões de condomínio. Como não é caracterizada uma relação de consumo, o Procon nada pode fazer em relação aos valores cobrados, segundo o presidente do Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF), Ricardo Pires. Cabe aos moradores tomarem a iniciativa. “As pessoas se ausentaram da prática coletiva e, com isso, deram um cheque em branco para que o condomínio faça o que quiser. As pessoas estão pagando o preço da omissão. Se houvesse mais interesse, mais fiscalização por parte de quem arca com esse custo, a situação poderia ser diferente”, afirma.
O promotor Leonardo Bessa, da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), concorda. “Não tem saída. Não há o que fazer porque não existe, de fato, uma relação de consumo. É o morador que tem que participar da assembleia, exigir explicações do síndico ou mesmo trocá-lo, se for o caso. Enfim, é preciso fiscalizar. Não adianta reclamar e ficar sem fazer nada.”

Como diminuir despesas
O que pode ser decidido em assembleia: