Os sem-teto
Mais 30 dias longe de casa
Moradores do prédio que ameaça
cair na 306 Norte terão que ficar mais um mês fora de seus apartamentos. Obras
de recuperação começaram, mas prazo inicial de 15 dias não será cumprido
O drama dos moradores do bloco H da 306 Norte está mais distante de chegar ao fim do que se imaginava. O engenheiro responsável pela obra de recuperação do prédio, Dickran Berberian, afirmou que, se tudo correr bem, as famílias só poderão retornar às suas casas dentro de no mínimo 30 dias. Um prazo bem maior do que o estipulado inicialmente pelo Exército. Em reunião no último sábado, os moradores foram informados de que o prédio, que ameaça desabar, poderia ser reocupado em 15 dias, a contar daquela data.
Alguns
moradores receberam a notícia, ontem, com resignação. ‘‘Desde o início,
já sabia que não voltaríamos em duas semanas. Eles só tentaram nos
confortar’’, afirmava Lucimar Gomes. Morando de favor na casa de uma amiga,
ela acredita que só estará novamente no apartamento dentro de três meses.
‘‘Mesmo sendo leiga, sei que a obra é muito complexa’’, justifica.
Lucimar vai todos os dias ao bloco acompanhar as obras, mas o
sentimento de impotência é grande. ‘‘Fico de longe, olhando para o
apartamento e pensando: ‘minhas coisas estão todas lá’’’. A manicure
diz não saber até quando poderá permanecer na residência da amiga, onde
dorme na sala com o marido e três filhos pequenos. O síndico do bloco H,
Romildo dos Santos, também diz que já esperava por essa notícia.
‘‘Procurei não falar nada com as outras famílias para não gerar mais pânico’’.
Até as 17h de ontem, o Exército não havia sido informado pela
Infrasolo, empresa responsável pela restauração do prédio, sobre a
necessidade de se prorrogar o prazo de desocupação. ‘‘Ainda trabalhamos
com o prazo de 15 dias’’, disse o chefe da sessão de comunicação social
do Comando Militar do Planalto, coronel Ronaldo Brito. Ele afirmou, porém, que
o Exército continuará alojando as famílias pelo tempo que for necessário.
Reforma
em ritmo lento
Foi iniciada
a fase mais difícil dos trabalhos de recuperação do bloco H da 306 Norte.
Depois de restaurar a pilastra rompida há uma semana, os técnicos começaram a
reforçar os tubulões, que dão sustentação ao edifício. De acordo com o
engenheiro responsável pela obra, Dickran Berberian, agora será possível ter
uma noção exata de quanto o material foi comprometido. O prédio continua
afundando aos poucos, mas as chances de ser recuperado, segundo o engenheiro, são
grandes. Serão colocados novos tubulões, com até 26 metros de profundidade,
ao lado dos atuais, que têm 14 metros.