MORADIA
IRREGULAR
Novo ritmo
Presidente da Câmara
Legislativa descarta votar a regularização de 120 condomínios em um pacote só.
Ele vai propor que os deputados distritais apreciem três projetos por semana.
Tudo deve ser liquidado até março.
Alberto
Lima
Da equipe do Correio
A Câmara Legislativa
do Distrito Federal começa, nesta semana, a votar os projetos do Executivo que
definem os índices de densidade demográfica de 120 condomínios. É o primeiro
passo para o processo de regularização, que só termina com o registro dos imóveis
em cartório. Amanhã, os líderes de todos os partidos vão participar de uma
reunião com a mesa diretora da Casa, para definir quais os primeiros projetos a
entrar na pauta de votação. A expectativa é de que, já na tarde de amanhã,
alguns cheguem a plenário.
Hoje pela manhã, às 10h, a bancada do PT vai se reunir para tentar
elaborar uma pauta baseada no levantamento realizado pela oposição, que
habilitou à votação apenas 51 dos 120 projetos enviados pelo GDF. O restante,
segundo os petistas, apresenta deficiências técnicas que impedem a aprovação.
A proposta retirada do encontro de hoje será levada à discussão na reunião
de amanhã entre as lideranças e dirigentes da Casa.
‘‘Falta um estudo preliminar desses projetos. Nesta segunda, vou
procurar o Ministério Público para conversar sobre o assunto e ver de que
forma eles podem interferir nesse ritmo acelerado’’, comentou o deputado
Wasny de Roure (PT). Para a líder do PT, Lúcia Carvalho, é importante dividir
de forma bem equilibrada as votações.
‘‘É por isso que queremos propor uma agenda. Não dá pra votar
muito condomínio junto. Temos que dividir e jogar mais para a frente. Vamos
trabalhar uma contraproposta’’, explicou Lúcia. Líder do PL, o deputado
Renato Rainha estima que a votação de todos os projetos regulares deve
terminar até o final do ano. ‘‘Vamos passar um pente-fino nesta terça,
para votar o que tem condições de ser votado. Os outros vão atrasar’’,
afirmou.
Outro crítico do regime apressado com que se toca a tramitação
dos projetos é o líder do PSB, Rodrigo Rollemberg. Segundo ele, todos os
deputados têm a disposição de agilizar ao máximo o processo. ‘‘Mas não
concordamos com esse negócio de se atropelar a discussão para votar de
qualquer jeito’’, criticou.
Como
é a regularização
A Câmara
Legislativa precisa aprovar projetos de lei que definam a densidade demográfica
dos condomínios. É um dos passos para a regularização. Antes, porém,
precisa avaliar o número máximo de habitantes de cada parcelamento.
Se aprovados pela Câmara, os projetos vão à sanção do governador Joaquim
Roriz. Depois de sancionados, os processos voltam para a Secretaria de Assuntos
Fundiários. A equipe técnica da Secretaria deve elaborar o projeto urbanístico
dos condomínios (onde são definidas as áreas destinadas a equipamentos públicos,
áreas verdes, etc.) e comprovar a densidade demográfica definida pela Câmara.
Com o projeto urbanístico dentro dos critérios legais, o processo vai para o
Conselho de Planejamento Urbanístico e Territorial (Coplan). Aprovado pelo
Coplan, o processo volta para as mãos do governador, para que o condomínio
seja oficialmente regularizado por meio de decreto.
Depois do decreto, o parcelamento como um todo precisa ser registrado em cartório.
O governo registra o condomínio, com lotes residenciais, comerciais e
equipamentos públicos. Só então é possível que cada morador registre seu
lote individualmente em cartório.
Se o condomínio estiver em terras do GDF, o próprio governo promoverá a venda
dos lotes. Os moradores, mesmo que tenham pago pelos terrenos, terão de pagar
novamente pelas áreas ao GDF. O preço e a forma de pagamento ainda não estão
definidos.
Se o condomínio estiver em terras particulares, o dono do parcelamento será o
responsável pelo registro dos lotes em cartório. Os condomínios que estão em
terras da União ainda terão de esperar por um convênio negociado entre o GDF
e a Secretaria de Patrimônio da União para o início do processo de regularização.
Os condomínios investigados pelo Ministério Público não serão objeto de
decretos de regularização até que todas as pendências estejam resolvidas.
Baixa
renda abre a lista
A tramitação dos
projetos deve seguir um ritmo mais lento. É o que garante o presidente da Câmara,
Gim Argello (PMDB). Segundo ele, há muitos outros projetos à espera de votação.
Amanhã, Gim apresenta às lideranças partidárias proposta de
votar, em média, três projetos de condomínio por semana. ‘‘Já falei que
não votava nada em bloco e não vou votar. Devemos começar a votar nesta terça
e, até março, tudo deve estar concluído’’, assegurou.
A presidência da Câmara ainda não concluiu o levantamento dos
projetos inabilitados à votação. Entre os primeiros a ir a plenário estão
os condomínios de baixa renda. O Estatuto da Cidade garante posse legal às famílias
que ocupam lotes de até 250 m² há mais de cinco anos e não possuem outro imóvel.