ABASTECIMENTO DE ÁGUA
Ligação clandestina no Sudoeste

Uma equipe de fiscalização da Caesb foi surpreendida ontem à tarde ao encontrar um aglomerado constiuído por 475 unidades de consumo de água abastecidos por meio de uma ligação irregular. Quando chegaram no Sudoeste, os fiscais constataram que o hidrômetro do condomínio Mont Blanc na QMSW 5, Lote 2, blocos A, B, C e D, havia sido removido e um cano fazia a ligação desautorizada pela companhia de água. O abastecimento do local havia sido cortado em 14 de fevereiro deste ano por falta de pagamento da conta.

A Caesb registrou uma ocorrência sobre o caso na 3ª Delegacia de Polícia, do Cruzeiro, conforme o procedimento padrão da companhia. O delegado chefe da 3ª DP, Aloísio Carvalho, informou que a perícia técnica comprovou a existência de uma ligação clandestina no local. O síndico do condomínio foi identificado pela polícia como Carlos da Silva Salgueiro. Segundo os policiais, ele estaria em São Paulo e, por esse motivo, ainda não apresentou esclarecimentos. Carlos foi intimado a comparecer na delegacia ainda esta semana.

De acordo com os fiscais Alberto Alencar Rocha Filho e Alcino Nascimento Meira, o hidrômetro estava em ambiente fechado e trancado, e o zelador do condomínio não queria permitir o acesso da fiscalização. A lei determina que os hidrômetros estejam em local acessível e de fácil visualização. “Se fosse preciso poderíamos pedir auxílio policial para ter acesso ao hidrômetro. Quando o zelador entendeu que não podia nos impedir, ele cedeu”, contaram os fiscais.

“A informação do síndico é que o pagamento foi realizado, mas a Caesb não deu baixa. Como ele se considerou prejudicado pela empresa, resolveu fazer a ligação irregular e entrar com recurso para provar que pagou”, disse o porteiro do condomínio, que não quis se identificar. O gerente de fiscalização da Caesb, Paulo Alvim, disse desconhecer a existência de qualquer recurso contra a empresa. “Mesmo que o recurso exista, isso não justifica que qualquer pessoa realize uma ligação irregular de água”, afirmou Paulo.

A média mensal de consumo do condomínio é de 2,5 milhões de litros de água, o que corresponde a uma conta de aproximadamente R$ 12 mil. A estimativa da Caesb é que o condomínio possua uma dívida de R$ 65 mil com a empresa. Outras duas operações semelhantes foram realizadas ontem; a primeira foi na SQN 309, Bloco P e a outra foi na QRSW 8, Lote 1. Os dois locais também serão investigados sobre furto de água.

A pena para furto de água pode ser de um a quatro anos de reclusão. “Ainda precisamos avaliar a extensão do furto, mas acredito que os responsáveis devem receber uma multa superior a R$ 10 mil”, afirmou o gerente de fiscalização, Paulo Alvim