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Desde o início da aplicação dos questionários do Censo 2010, em agosto, são os moradores dos bairros nobres da cidade que têm preocupado os agentes recenseadores. Muitos se recusam a recebê-los em casa. No condomínio Vale do Loire, no Horto Florestal, por exemplo, a demora para abrir os portões para visitantes pode chegar a dez minutos, dada a complexidade do esquema de segurança. E isso se a entrada for permitida. Segundo Ana Maria Loureiro, coordenadora estadual de divulgação do Censo 2010, os bairros onde tem havido maior resistência em responder ao recenseamento são o Canela e o Horto Florestal. “Neste último, inclusive, tivemos um problema mais sério recentemente. O administrador de um condomínio recusou-se a aceitar qualquer material sobre o Censo no local e, depois de permitir a entrada dos agentes, ainda foi ameaçado de demissão por um morador que não queria que os recenseadores entrassem. Foi uma confusão”, conta ela, que prefere não revelar o nome do condomínio. Nos bairros populares, não raro os agentes são convidados a entrar nas casas pelos próprios moradores. “Tem gente que pergunta para o recenseador: que dia você vem?”, revela Ana Maria. Um fator que ajuda o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no trabalho em comunidades populares é a presença das associações de bairro. “Elas facilitam o trabalho porque ajudam a conscientizar sobre a importância do recenseamento”, diz Ana Maria. Além disso, o IBGE conveniou-se a diversas rádios comunitárias, que esclarecem dúvidas sobre o Censo. De acordo com Ana Maria, o IBGE investiu em mecanismos para facilitar a abordagem dos recenseadores, como o fato de o morador não precisar necessariamente receber o agente em casa. “Ele pode responder ao questionário no playground do prédio, por exemplo. Além disso, o pesquisador pode deixar blocos de recados para que o morador diga quando quer ser visitado pelo IBGE”, enumera. Fonte: A Tarde Online |