Internet barata e coletiva no condomínio

Quanto custa uma conexão de internet? A pergunta é cheia de respostas possíveis. Para quem deseja uma conexão extremamente veloz e apenas para si, o preço pode ser caro, bem caro. Mas nem todos são da opinião de que é necessário ter o acesso mais veloz. Para alguns, o fator que mais conta na hora de escolher um provedor de acesso é o preço. E, em um condomínio, ter internet em uma unidade pode até sair pela pechincha de 10 reais ao mês.
 
Se vale a pena dividir a conexão de internet com outros condôminos é uma questão bastante controversa. Em um condomínio no qual todos os moradores precisam de conexões muito rápidas, ficar satisfeito com o compartilhamento da velocidade com outras pessoas pode gerar insatisfação.
 
Usuários que costumam fazer downloads de grandes quantidades de dados, assistir a vídeos com freqüência ou jogar online não costumam desejar um acesso compartilhado.
 
A maior parte das pessoas, contudo, não utiliza a rede em sua velocidade máxima. Visitar sites, baixar e-mails e conversar em chats são atividades que requerem pouca transmissão de dados. Nesse caso, as conexões são subutilizadas e a divisão do acesso em um condomínio não terá grande impacto sobre o uso cotidiano da rede.
 
Caso um condomínio tenha usuários que precisam de conexões muito velozes e outros que não têm essa necessidade, a questão passa a ser de calibrar o uso da internet em relação à comunidade. Técnicas de “traffic shaper” (em tradução literal, “ajustamento de tráfego”) permitem que a rede não fique lenta para os moradores que consomem menos dados.
 
“Pode-se permitir, por exemplo, alta velocidade nos primeiros 3 segundos, que é o tempo necessário para carregar um site normal, e, depois, uma velocidade menor”, afirma Romário Xavier, responsável pela infraestrutura da Superlógica. “Isso evita que usuários que visitam páginas básicas demorem muito para fazer o carregamento”. 
 
Caso a decisão seja por fazer compartilhamento, é preciso consultar o fornecedor de internet para verificar se o procedimento é legal. Isso evita que a conexão seja caracterizada como o famoso “gato”, que não é legalmente permitido e pode acarretar multas, além de até desvalorizar o imóvel.
 
Em geral, uma conexão que pode ser compartilhada é mais cara que uma conexão doméstica. Além disso, será necessário comprar equipamentos para a rede, e contratar uma empresa para instalação e manutenção para qualquer eventualidade. Entretanto, o investimento inicial não é tão alto.
 
“Um condomínio com 10 andares e 4 apartamentos por andar vai investir no máximo R$4.000,00 com todos os equipamentos, incluindo um firewall, um switch de 24 portas e 10 roteadores wi-fis e cabos”, afirma . Romário, entretanto, adverte. “O projeto é muito importante para a coisa toda funcionar”. Os custos de mão-de-obra para a instalação, configuração dos roteadores e firewalls e de manutenção também não devem ser esquecidos.
 
Nesse cenário, cada andar teria seu próprio roteador sem fio, diminuindo a distância entre o roteador e o computador dos usuários e deixando o sinal mais forte. No entanto, o modelo pode não funcionar em todos os condomínios, dependendo dos obstáculos entre o roteador e cada computador. Caso não seja possível usar a rede sem fio, a outra opção é a rede cabeada, que é mais cara.
 
Uma reclamação constante entre aqueles que já dividiram uma conexão é a vulnerabilidade a que ficam expostos seus computadores. A privacidade é duramente afetada caso não se tome um cuidado rigoroso com a instalação da rede. Ter um vizinho que espione o que os outros condôminos fazem no computador jamais será algo agradável.
 
Ademais, há o risco de algum computador receber um vírus que se espalhe por todos os outros micros. Quando a rede é bem instalada, levando-se em conta questões de segurança, problemas como esses são menores.
 
Para Altieres Rohr, autor do site “Linha Defensiva” e colunista do G1, é mais fácil impedir a disseminação de vírus quando os computadores estão com Windows atualizado (XP, Vista ou 7), cada usuário tem sua senha, não há nenhum compartilhamento e o firewall do sistema está ativado. “Esses itens servem para se proteger de brechas que venham a existir no sistema”, afirma.
 
Rohr nota também que outro risco do compartilhamento de internet em um condomínio é o fato de que, em alguns casos, o usuário não tem como resolver o problema que está tendo imediatamente. Depende do condomínio, o que atrasa a resolução do problema.
 
Para ele, contratar um plano melhor que permita o compartilhamento condominial é útil quando o condomínio está em uma área em que a conexão doméstica é cara ou ruim. “Se uma conexão de qualidade for contratada, algo possível especialmente em condomínios maiores, pode valer a pena”, acredita.