HABITAÇÃO

Polícia fecha cerco a invasão na Estrutural

Justiça baixa ordem e 56 famílias deixam casas que eram ocupadas irregularmente. Codhab e Sedest acompanham

 

Famílias que invadiram casas construídas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) estão começando a se retirar. No último sábado, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Habitação (Sedhab), pelo menos 56 delas já haviam deixado os imóveis, construídos nas quadras 7 e 8 do Setor Oeste da Estrutural. Por causa de problemas com a empresa contratada para realizar as obras, 316 casas inacabadas ainda estavam vazias, aguardando liberação para que fossem distribuídas a beneficiários do Programa Integrado da Vila Estrutural (Pive). A Sedhab não tem um levantamento preciso sobre quantas delas foram ocupadas irregularmente.

As famílias obedecem a um termo de reintegração de posse, definida pelo juiz titular da Vara do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano e Fundiário do Distrito Federal na quinta-feira passada. A assessoria do GDF explicou que todas as casas ocupadas irregularmente estão sendo visitadas por funcionários da Companhia de Desenvolvimento Habitacional (Codhab) e da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest). A Secretaria oferece auxílio-moradia no valor de R$ 408 durante um mês ou a passagem de volta para a cidade natal, no caso de quem não nasceu no DF. A Codhab cadastra os moradores que ainda não estão na lista de distribuição de lotes. Os ocupantes têm até a próxima sexta-feira para deixar as casas. A Polícia Militar do Distrito Federal monitora a área desde quarta-feira passada para impedir novas invasões. Os policiais informaram que quem deixa local está indo para a Quadra 13 da Estrutural ou para Vicente Pires.

Muitos dos que ficaram não pretendem deixar as unidades habitacionais dentro do prazo estipulado. Lailane Bastos, 27 anos, e Alan Almeida Lima, 22 anos, moram com os filhos em uma das casas. Os dois são catadores de lixo e estão em situação irregular. Reclamam que o auxílio oferecido pela Codhab para a retirada é insuficiente. Lailane diz que está morando no local há dois meses e que não invadiu a casa, apenas ocupou o espaço que estava abandonado há meses e com a porta arrombada. “A gente está zelando pela casa, porque o mato estava cobrindo isso aqui”, argumenta. Há duas semanas eles não têm água nem energia elétrica. Ela contesta o sistema de distribuição de lotes e afirma que, mesmo estando cadastrada na lista da Codhab há cinco anos, nunca foi contemplada com uma moradia. “Os que permanecem aqui é porque não têm para onde ir”, garante.

Reassentamento
O secretário adjunto de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Rafael Oliveira, esclarece que os imóveis construídos na região fazem parte de uma política de reassentamento, e não de habitação. “As pessoas que vão para aquelas áreas são pessoas que estão sendo removidas de locais insalubres, de risco, ambientalmente sensíveis e de áreas em que serão construídas escolas, hospitais e outras instalações”, destaca.

Segundo o secretário, os imóveis são monitorados a cada duas semanas pela Secretaria de Obras, e a invasão só foi constatada no dia 16. Sobre a depredação e a demora para sortear as casas, Oliveira disse que o GDF depende da liberação do governo federal. Na semana passada, 64 famílias foram beneficiadas pelo Pive e tiveram os endereços sorteados. Valderson Muniz de Melo, 27 anos, estava entre os contemplados e teve a casa invadida. Depois da saída dos ocupantes irregulares, ele está arrumando o novo imóvel e deve se mudar em breve com a esposa e os quatro filhos. Valderson mora na Estrutural desde 1993. “Graças a Deus, a casa já é minha”, comemora.

Outros 137 endereços foram sorteados para alguns dos cadastrados no Pive. As famílias aguardam apenas a publicação no Diário Oficial da União, que deve sair esta semana. A previsão é de que, em breve, outras 50 habitações sejam liberadas.

 

Entenda o caso
Projeto em desacordo
 
As 316 casas que ainda não haviam sido distribuídas pelo programa de reassentamento da Vila Estrutural fazem parte do Projeto Brasília Sustentável, do Governo do Distrito Federal (GDF), mas foram construídas com recursos federais liberados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC/Habitação). Por isso, a liberação das moradias depende da Caixa Econômica Federal. Outras casas construídas no mesmo local foram entregues na gestão anterior, quando a presidente Dilma Rousseff ainda era ministra da Casa Civil. A empresa responsável pelas obras faliu no final do ano passado e não entregou as unidades finalizadas. Algumas estão sem vidros nas janelas e ainda não foram pintadas. Como a Caixa não aceita receber obras em desacordo com o projeto original, a distribuição das casas não está condicionada a essa adequação.