Corrida para o novo cadastro
O primeiro dia de recadastramento da lista da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab), que tem 370 mil inscritos, foi marcado por desinformação e insegurança. Dezenas de pessoas foram até o posto da companhia, na Quadra 6 do Setor Comercial Sul, para saber a situação cadastral e se depararam com filas e o sistema de informática congestionado.
O problema provocou lentidão no atendimento. A atualização dos dados vai até o próximo dia 12 de agosto e pode ser feita pela internet (veja quadro).
A autônoma Francisca Helena Nascimento, 37 anos, moradora de Santa Maria, estava entre os cadastrados que estiveram pela manhã na Codhab. Inscrita desde 2008 na lista, ela sonha em ter um espaço melhor para cuidar dos sete filhos. “Já entreguei todos os documentos naquela época e agora inventaram de fazer tudo de novo. Tenho medo de (o processo) demorar ainda mais”, diz.
Como o governo já anunciou que não dará mais lote, Francisca Helena espera que, se for incluída em algum financiamento habitacional, tenha condições de desembolsar as parcelas. “Hoje, gasto R$ 300 com aluguel. Se fosse para pagar esse mesmo valor na minha casa, eu não acharia ruim”, disse.
Aposentada por invalidez, Francisca Rodrigues de Oliveira, 63 anos, chegou antes mesmo das 10h para fazer o novo cadastro. Ela viu pela tevê que a atualização dos dados começava ontem, mas não sabia que podia ser pela internet. Francisca mora de aluguel no Areal, em Taguatinga, com dois filhos e, há 29 anos, deu entrada com a documentação na Codhab a fim de ter sua casa própria. “Entra governo, sai governo e continua a mesma coisa. Eu espero que agora saia a minha casa”, ressalta.
O secretário de Habitação, Geraldo Magela, disse que a lentidão do sistema era esperada e prometeu normalizar a situação ainda esta semana. “Sabíamos que nos primeiros três dias seria assim em razão das dúvidas das pessoas”, explica. Ele esclareceu que as famílias terão, agora, de pagar pela moradia por meio do Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.
Os valores dos imóveis serão cobrados de acordo com a renda do contemplado. A Caixa Econômica Federal tem uma regra de financiamento para pessoas que ganham menos de R$ 1,6 mil, o que não impede a compra de um imóvel por aqueles que recebem até um salário mínimo (R$ 545). Mas cada caso será analisado individualmente.
Quem tiver alguma pendência no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e no Serasa deverá regularizar a situação o quanto antes, pois, neste caso, a pessoa corre o risco de ficar de fora do processo. Também não será permitido duplicidade no cadastro. Ou seja, marido e mulher preencherão uma mesma ficha com os dados dos dependentes e a seleção. A pontuação estará diretamente relacionada ao tempo em que a pessoa reside no Distrito Federal, de permanência na lista da Codhab e ao número de filhos.
Com a atualização dos dados, o governo espera enxugar a lista até o próximo mês. Quem mora em condomínio, mesmo sendo irregular, não poderá participar do programa habitacional e deverá esperar pela legalização da área onde reside.
O governo irá checar o cadastro de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e dos cartórios para retirar da antiga lista os inscritos que já conseguiram moradia. Também serão excluídas pessoas com endereço de fora do DF e com renda superior a 12 salários mínimos. A ideia é beneficiar os moradores com mais tempo de Brasília.
Cooperativas
Foco de denúncias de fraude na escolha de associados e entrega dos lotes (veja Memória), as mais de 600 cooperativas habitacionais também terão de atualizar os dados. A análise dos documentos entregues pelas entidades será concluída até o fim desta semana e a Codhab deverá divulgar no Diário Oficial do DF a lista das entidades credenciadas para participar dos programas habitacionais. Os associados passarão pelo mesmo crivo de pontuação estabelecido para as demais pessoas que fizeram a inscrição individual.
Para reduzir o deficit habitacional, o governo anunciou a construção de 10 mil casas e apartamentos em seis cidades do DF . A expectativa é de que, até o fim do ano, sejam lançadas outras 5 mil novas unidades habitacionais.