CONDOMÍNIOS

Governo aperta devedores de IPTU

Com o objetivo de emitir os carnês do imposto em nome dos donos dos lotes, Secretaria de Fazenda cobra dos síndicos dos parcelamentos o repasse dos dados dos proprietários. Em 2010, a inadimplência chegou a 65%, uma perda de R$ 38 milhões aos cofres públicos.
 

 

Para driblar a resistência dos moradores de condomínios irregulares em pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e reduzir a alta inadimplência, a Secretaria de Fazenda começou a cobrar dos síndicos dos parcelamentos a apresentação de uma lista completa dos ocupantes de cada lote. Com isso, os técnicos do fisco querem acabar com os casos em que os carnês são emitidos em nome do condomínio — uma das principais razões alegadas pelos moradores para não quitar os boletos. Mas a medida já causa polêmica e os ocupantes de terrenos irregulares não querem entregar seus dados à Secretaria de Fazenda. O governo, por sua vez, ameaça colocar na dívida ativa os condomínios que não fornecerem essas informações à Receita.

Esta semana, os administradores de pelo menos três parcelamentos já receberam a notificação do governo. No documento, a Diretoria de Atendimento ao Contribuinte solicita a apresentação das informações “dos legítimos possuidores das frações imobiliárias, com nome completo e CPF”. A notificação cita ainda uma decisão da Justiça determinando que, ao se recusar a fornecer as informações dos condôminos, o síndico assume o ônus de pagar as dívidas. O prazo para apresentação dos dados solicitados é de 10 dias.

No condomínio Vivendas Lago Azul, no Grande Colorado, a confusão em torno da cobrança de IPTU se arrasta desde 2006. Naquele ano, os moradores conseguiram uma liminar que os isentava de pagar o tributo. A decisão vale apenas para 2006, mas muitos se basearam nela para deixar de pagar os carnês nos anos seguintes. Com isso, boa parte da comunidade acabou inscrita na dívida ativa do GDF e esses débitos estão sendo agora executados. A entrega de boletos em nome do condomínio, nos casos em que o governo não conseguia informações dos ocupantes, também era outra justificativa para não pagar as dívidas.

Kleber Lima/CB/D.A Press - 30/1/07
Aluísio Madruga, do Condomínio Solar de Athenas, já entregou os dados

Briga na Justiça
O representante comercial Dênis de Freitas Costa, 49 anos, mora no Vivendas Lago Azul há sete anos. Ele preferiu não pagar o IPTU enquanto não houver uma sentença sobre o questionamento dos moradores da área. Dênis recebeu carnês de cobrança e avisos de inscrição na dívida ativa, mas está otimista. “Acredito que a Justiça vai nos dar ganho de causa. A população só deve pagar o IPTU se houver uma contrapartida e, no nosso caso, isso nunca aconteceu. O asfalto, a luz, a coleta de lixo e a segurança, tudo isso é bancado pela comunidade”, reclama Dênis.

No caso do Condomínio Bela Vista, a Secretaria de Fazenda também enviou notificação para solicitar os dados dos contribuintes sem cadastro na Receita. O síndico do parcelamento, Vilson Silva Farias, diz que é contra a exigência “Como é que o governo pode colocar essa enorme responsabilidade sobre os síndicos? Não vou fornecer CPF dos outros, até porque não estou apto a indicar quem é o verdadeiro dono de cada terreno.” “O governo não pode colocar o CNPJ do condomínio na dívida ativa, já que a administração não tem lotes nem outras propriedades”, acrescenta o síndico.

No ano passado, a inadimplência relativa aos condomínios irregulares ficou em 65% — o que representa uma perda anual de R$ 38 milhões para os cofres públicos. Atualmente, cerca de 110 mil imóveis irregulares estão cadastrados na Secretaria de Fazenda para o pagamento do IPTU e o número sobe constantemente por conta das vistorias realizadas pelo governo para identificar lotes não cadastrados.

Exigência legal
A Secretaria de Fazenda destaca que o fato de o parcelamento não estar regularizado não isenta a comunidade do pagamento. O Código Tributário Nacional estabelece que quem tem a posse da área deve pagar o IPTU e que o pagamento não gera a propriedade do terreno. Em áreas vazias do governo local, por exemplo, há cobrança de tributo, mas isso não será um empecilho para que elas sejam licitadas posteriormente.